Quinta-feira, Maio 15, 2003

Pareceram-me relevantes algumas considerações feitas pelo Provedor do Leitor do JN (Jornal de Notícias), Fernando Martins na edição de Domingo, 11 de Maio. São considerações que tocam em aspectos já abordados nas aulas, tais como a objectividade e critérios jornalísticos.
Diz Fernando Martins que “o jornalismo não pode deixar de ser subjectivo, ainda que obedecendo a critérios profissionais que, maioritariamente, recolhem amplo consenso social.” Prova disso é a “frequente coincidência dos temas escolhidos pelos vários jornais para manchete, e os alinhamentos dos noticiários das televisões e das rádios.”
Apesar desta proximidade de critérios, existem elementos de determinados grupos que contestam, “com frequência, as opções dos media”.
Esta apreciação de Fernando Martins surge na sequência de críticas feitas ao JN, nomeadamente por Cristiano Ribeiro, elemento do Partido Comunista Português, pelo convite endereçado a Edgar Correia para integrar a secção “Opinião”. Cristiano Ribeiro vê neste convite uma manifestação hostil para com o PCP; falta de precisão, de rigor e de correcção do jornal no que respeita ao partido. Aponta ainda a “utilização do jornal como porta voz de uma corrente minoritária e auto-excluída que o instrumentaliza”. Diz entender a diferença entre opinião e informação mas lembra “quão complementares podem ser as mensagens desses dois planos, quando existe uma orientação sectária e decriminatória”. A Direcção do JN repudia estas acusações, considerando-se apartidária, orientada por critérios estritamente jornalísticos.
O “equilíbrio entre o rigor e o forte apelo ao interesse dos leitores” é objectivo do JN, embora nem sempre isso seja conseguido, diz Fernando Martins, porque “se Deus quisesse que fossemos objectivos, tinha-nos feito objectos”; como nos fez humanos é inevitável ser subjectivos. O que dá azo a equívocos.

Sara Sá, n.º 31570
13.05.03

Sexta-feira, Maio 09, 2003

Tempo de rever o ensino de Jornalismo
É chegado o tempo de rever o papel da Universidade no ensino de Jornalismo. Foi esta a conclusão a que chegou Bollinger, Presidente da Universidade de Columbia, e que o levou a reunir-se com um grupo de profissionais da área, durante seis meses (de Outubro de 2002 a Março deste ano). O resultado chega através de uma declaração feita pelo mesmo.
O século em que entramos traz consigo mudanças que acentuam o papel dos media, afirmou o presidente. Estando entre as mais importantes instituições humanas contemporâneas, o jornalismo não pode deixar-se afectar por pressões monetários, um dos grandes obstáculos à qualidade jornalística. Isso só será possível através de uma forte ideologia, que estabeleça valores e bases sólidas para o exercício da profissão. A universidade desempenhará um papel crucial no estabelecimento dessa ideologia, similar ao que desempenha em outras profissões como a medicina. Mudanças inovadoras terão que ser efectivadas para que tal se concretize.
Na sua declaração, Bollinger destaca algumas dessas mudanças, entre as quais refiro as que me parecem mais significativas. A universidade deverá favorecer a troca de conhecimento entre estudantes de jornalismo e indivíduos (estudantes ou não) de outros campos e departamentos. Dentro da própria escola de jornalismo, deverá ser dada ao aluno uma formação polifacetada, dada a multiplicidade de meios que o futuro jornalista poderá integrar. Ao profissional de jornalismo é requerido um amplo conhecimento em diversas áreas, de modo que muitas disciplinas deverão ser reformuladas e/ou acrescentadas, pensando sempre no que irá ser útil ao estudante ao longo da sua carreira profissional. Além disso, deverão ser criados incentivos financeiros à investigação em jornalismo, tal como existem noutros campos como as artes, humanidades, etc.
Estimular os que pretendem enveredar pela área jornalística a apostar numa educação profissional é o propósito final desta necessária reformulação, diz o presidente, com vista a colmatar um fenómeno ainda muito visível actualmente: o acesso ao grau de jornalista sem formação profissional adequada.

Sara Sá, n.º 31570

Sexta-feira, Março 14, 2003

Estava a passar os olhos pelo Diário do Minho do dia 05.03.03 e encontrei uma frase de Fernando Namora que achei muito interessante e que passo a citar para aqueles que não tiveram oportunidade de ver: "A arte de viver consiste em saber distinguir entre os impulsos que devem ser obedecidos e os que devem obedecer". Vale a pena pensar.
Sara Sá

Quinta-feira, Março 06, 2003

“Actualmente, quais os assuntos que, na sua opinião, são destacados na comunicação social e pela opinião pública?” e “O que é que mais o preocupa?”, são as questões propostas pelo professor Manuel Pinto, no que concerne ao tema do Agenda Setting.
Para obter respostas a estas perguntas, inquiri duas jovens, ambas com 21 anos de idade. Optei como critério de escolha das respondentes, uma que fosse estudante universitária e a outra que exercesse uma actividade profissional, pois achei interessante saber se as suas preocupações coincidiam. Ambas concordaram que os assuntos mais em voga são a pedofilia e a crise iraquiana. Relativamente à segunda pergunta, a estudante referiu que a sua maior preocupação consiste na incerteza se vai conseguir empregar-se, futuramente, na área que está a estudar. A outra inquirida respondeu que era não poder continuar a exercer a sua profissão actual, devido às constantes falências de empresas e à actual crise económica.
De facto, o desemprego é um dos graves problemas que atingem as sociedades actuais e que muito preocupam as pessoas. O problema em questão não afecta somente as pessoas que não estão empregadas, mas também aquelas que já possuem uma profissão, na medida em que sentem-se inseguras em relação ao futuro, temendo perder o seu emprego. Além disso, ouvimos muitas vezes que, possuir um curso universitário não é sinónimo de exercer uma actividade profissional condizente com a formação académica, ideia esta corroborada pelo facto de muitos licenciados não conseguirem arranjar um emprego na área em que se formaram. Esperamos que o futuro nos reserve dias melhores para que continuemos a acreditar que vale a pena lutar pelos nossos sonhos!
Marisa Queirós
n.º 31556

Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003

No âmbito do tema da teoria do Agenda Setting, foi-nos proposto entrevistar duas pessoas, fazendo-lhe as seguintes questões: "Que assuntos considera mais importantes na actualidade?" e "O que mais o preocupa? Porquê?". Optei por entrevistar dois individuos de diferente sexo e de faixas etárias diferentes. Um dos entrevistados foi um jovem do sexo masculino, de 19 anos, que relativamente à primeira questão respondeu que os temas da pedofilia e da possível guerra entre E.U.A. e Iraque são os temas que considera estarem mais "em voga" no discurso actual dos media. Quanto aos aspectos que mais o preocupavam respondeu que eram "a crise económica e sobretudo as poucas perspectivas de emprego no futuro, porque estou a tirar um Curso Profissional de Electrónica e assusta-me chegar ao fim do curso e não ter onde me empregar", disse. Para além disso, disse preocupá-lo também "a usurpação dos menos favorecidos pelos mais poderosos" dizendo que, em virtude da débil situação económica no nosso país considera ser um "infeliz problema" que vai aumentando com o piorar desta situação.
O outro individuo que entrevistei foi uma Senhora de 49 anos, que, curiosamente, me referiu exactamente os mesmos temas que o meu outro entrevistado; ou seja, pedofilia e possível guerra que os E.U.A. vão desencadear. Quanto à segunda questão, respondeu que a preocupava a dificil situação económica porque estamos a passar - "os preços a aumentar e os salários sempre na mesma", disse - e também o desemprego não por ela que considera estar estabilizada mas "pela minha filha, que está prestes a ingressar no mercado de trabalho".
Sara Sá
n.º 31570


Braga já fornece apoios a portadores de Trissomia 21.
A Associação do Minho de Portadores de Trissomia 21, foi fundada este mês, em Braga, por um grupo de pais, técnicos e amigos de crianças portadoras da doença.
A integração dos portadores de Trissomia 21, nos diversos aspectos da vida social é o grande objectivo da Associação, que pretende afirmar-se como uma associação socio-cultural e de beneficiência, sem fins lucrativos. Esta Associação pretende também proporcionar meios de diagnóstico, terapêutica, reabilitação e integração social do doente e apoiar os seus familiares.
Em Braga, foi, recentemente, levantada a polémica em torno da questão da discriminação de doentes com Trissomia 21, quando o Colégio D. Diogo de Sousa se recusou a aceitar a matricula de uma criança portadora da doença.
Sara Sá
n.º 31570

Quinta-feira, Dezembro 19, 2002

Comunicação Social visita Biblioteca Pública de Braga

Pretendendo fomentar o conhecimento dos alunos do curso de Comunicação Social do 3º ano, o professor Manuel Pinto e a professora Sandra Marinho – docentes da disciplina de Jornalismo – decidiram organizar uma visita de estudo à Biblioteca Pública de Braga, que decorreu no passado dia 24, pelas 10 horas. Enfrentando o mau tempo que se fazia sentir, os alunos compareceram, há hora marcada, com grande expectativa e entusiasmo. O grupo dividiu-se em dois grupos mais pequenos que, alternadamente, efectuaram uma visita pelas várias salas do edifício – guiada pela Sr.ª Maria Helena Laranjeira – e realizaram um exercício de análise comparativa de vários tipos de jornais e de épocas diferentes na Sala de Arquivo dos Periódicos.
Para além da oportunidade de conhecer a beleza do edifício e das suas salas, os alunos ficaram a conhecer um pouco da história da Biblioteca, assim como alguns dos actuais projectos e actividades a seu cargo e também limitações que esta instituição enfrenta. De entre essas actividades, falou-se especialmente das actividades infantis promovidas para as várias escolas que nelas pretendam participar.
A Sr.ª Maria Helena Laranjeira mostrou aos grupos qual deveria ser o “circuito do leitor” na Biblioteca, mostrando-lhes as diferentes salas que poderiam integrar esse circuito. Assim, os alunos conheceram as Salas de Depósitos, a Sala Infantil, o Salão Medieval Superior e Inferior (Sala de Leitura) e, por fim, a Sala de Arquivo dos Periódicos, onde realizaram o exercício de análise comparativa.
Além destas Salas a Biblioteca tem integrado o Arquivo Distrital de Braga, onde é possível encontrar toda a história de Braga e onde é possível, inclusive, que qualquer família Bracarense construa a sua árvore genealógica, visto que existem, neste Arquivo, documentos manuscritos das paróquias (que incluem o registo de óbitos, nascimentos, casamentos), sendo os mais remotos datados do século IX, altura em que Portugal, enquanto Nação, ainda não existia.
A Sr.ª Maria Helena Laranjeira chamou também a atenção dos alunos para o facto daquela Biblioteca ser considerada a 4ª do país, a seguir às de Lisboa, Coimbra e Porto, possuindo mais de 600 mil publicações e mais de 20 mil periódicos. Esta Biblioteca possui também dos livros mais antigos: os chamados “Guttenbergs” – publicados, precisamente, aquando da invenção da imprensa por Guttenberg, no século XV.
Sob o olhar e escuta atentos dos alunos, assim decorreu esta visita, que parece ter dado grande satisfação a todos os alunos.
Sara Sá